segunda-feira, 3 de novembro de 2014 1 comentários

Nuntius

I

Eu não pedia amigos, mais verdade
Do que a verdade que pudessem dar,
Nem tanto compromisso entre a lealdade,
Honestidade e a vida por mudar.

Eu não roguei irmãos, por piedade,
Nem mesmo por ternura eu quis rogar.
Eu soube amar a simples amizade;
O falso amigo é que não soube amar.

Oh belos olhos dos avôs que tenho,
Presença tênue que o vento vergou.
Árvores grandes do maior engenho.

Meus pais, irmãos e amados, eu já vou.
Não peço nada horror, cansado eu venho...
Pedi tão pouco e a vida me negou...

II

Pudesse eu por nos vossos corações
Meu coração de amor e de mistério,
De rescindir o céu e o cemitério
O Mor prazer de ver as vibrações.

Se vós pudessem compreender ações
Em que construo a cor do meu império
De solidão, de dor e refrigério –
Com que eu enxergo tantas aflições...

Mas, não! E somos todos inimigos,
Muitas tumbas do lado de jazigos
Separados por deuses sepultados.

Eu não te entendo, irmão, e tu procuras
Apascentar as tuas criaturas –
Na intermitência astral dos desgraçados...

 III


De longe, amigos, fico arrependido
De assim saber que a certa confiança
Nunca existiu, e a falsa segurança
Me deixa eternamente envelhecido.

Eu não pedi um voto compungido,
E muito menos muita semelhança
Naquilo que conhecem de esperança,
E aquilo que é alguém enobrecido.

Eu não entendo, irmãos, esse receio,
Esse temor com esse asco alheio
De não saberem qual dos homens sou.

E eu fico triste só de perceber
Que eu nada tenho para oferecer
E que é melhor ficar onde hoje estou...
 

 IV


Quero escolher o ensejo favorável,
O instante certo, à hora apropriada,
N’aurora, amanhecer ou madrugada;
(Apressar um processo inevitável)

Divago sobre a cena desejável:
Com fotos, cartas, símbolos e cada
Gota de sangue e pranto, misturada
No meu quarto talvez seja agradável...

Tenho família, amigos, e meu medo
É fazê-los chorar quando souberem
De minha históri'e que parti mais cedo...

Ó Mor Tristeza que meus risos querem -
Com solidão, com pranto e intimidade
Os lavarei por toda a eternidade!








quinta-feira, 30 de outubro de 2014 1 comentários

Sortilégio



Sagrou-me Deus na ideia o pensamento
Das instruções e os dons de conhecer,
Ao mesmo tempo fez-me compreender
Que estou sozinho desde o nascimento.

Ornou em mim o altar de seu intento
Um régio estranho com o gesto “ser”
E involuntariamente eu pude ver
A luz do gládio dentro do meu tempo.

Um Deus apenas fez o céu e a terra
Com nome, assim deixou ao ser que enterra
E regressou à terra que não há.

Sagrou-me em tudo, e fora do que pensa
Eu nada seja – anônima presença –
Que habita tudo, e em tudo, nada está!

John 02.03.2014
 












sábado, 28 de junho de 2014 0 comentários

fragmentos de decesso


E foi no quarto da solidão que eu morri dentro de mim também. Foi entre quatro paredes de cimento e cal que ocorreu o meu ritual abaixo das estrelas e dos astros extintos. Nas escadas e nas sacadas eu pratiquei a morte de sê-la sem a ter em mim, e vi, num projétil de arma de fogo, um lugar para descansar mil cabeças cansadas e abatidas e onde poderão, enfim, chorar as suas lágrimas que não encontram onde chorar...



Ó postes altos que crucificam os conhecimentos interiores do sujeito, que mata o objeto, que não processa estética nem ética, e a dialética no seu tempo é só noite e saudade...


O ocultismo cessou... A poesia não está em mim, só inspiração e indignação assobiam como o vento lá fora; que sou eu, apenas eu...


 
;