sábado, 28 de junho de 2014 0 comentários

fragmentos de decesso


E foi no quarto da solidão que eu morri dentro de mim também. Foi entre quatro paredes de cimento e cal que ocorreu o meu ritual abaixo das estrelas e dos astros extintos. Nas escadas e nas sacadas eu pratiquei a morte de sê-la sem a ter em mim, e vi, num projétil de arma de fogo, um lugar para descansar mil cabeças cansadas e abatidas e onde poderão, enfim, chorar as suas lágrimas que não encontram onde chorar...



Ó postes altos que crucificam os conhecimentos interiores do sujeito, que mata o objeto, que não processa estética nem ética, e a dialética no seu tempo é só noite e saudade...


O ocultismo cessou... A poesia não está em mim, só inspiração e indignação assobiam como o vento lá fora; que sou eu, apenas eu...


quinta-feira, 19 de junho de 2014 1 comentários

Abdicação II



Guardei comigo todo o amor que eu tinha,
A fé saudosa, o sonho insatisfeito,
As impossíveis horas que eu mantinha
O mundo inteiro dentro do meu peito...

Cansado então da vida que era minha,
Houvesse ao menos ser real o preito
Que inutilmente serve-me a Rainha –
A eterna caixa magra do seu leito...

Recuso os deuses que me vêm de longe,
E as velas todas que me tem ferido
As vejo escuras com olhar de monge.

Eu renuncio antes de vivê-las
Ó gente alheia como um deus, perdido
Na solidão de todas as estrelas...


John 
 
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