quinta-feira, 19 de junho de 2014

Abdicação II



Guardei comigo todo o amor que eu tinha,
A fé saudosa, o sonho insatisfeito,
As impossíveis horas que eu mantinha
O mundo inteiro dentro do meu peito...

Cansado então da vida que era minha,
Houvesse ao menos ser real o preito
Que inutilmente serve-me a Rainha –
A eterna caixa magra do seu leito...

Recuso os deuses que me vêm de longe,
E as velas todas que me tem ferido
As vejo escuras com olhar de monge.

Eu renuncio antes de vivê-las
Ó gente alheia como um deus, perdido
Na solidão de todas as estrelas...


John 

1 comentários:

Aline Teles disse...

Fico feliz que tu tenhas voltado para o seu blog. Continua escrevendo com muita intensidade. Gosto dessa forma que tu escreves. Sinto aqui toda a força do seu sentir. Beijos.

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