quarta-feira, 1 de janeiro de 2014 7 comentários

Consciência



A solidão de 2014. Ano que chega tão convencionalmente quanto os outros anos já passados, que de tantas vezes e tantos contrários do que eu desejara, posso presumir que o amanhã não é o que presumo. E que ter virado a página de uma história que continua aqui dentro de mim, posso ver as sombras das árvores cotidianas nas margens desta mesma página branca, e o leve som da água indo sobre os ribeiros da possibilidade de poder encontrar a alegria pálida que escurece no sossego do mistério de tudo, na rústica região da modernidade cujo império ainda é pouco, e o sonhar já não basta.
Assim, como o sonhar nunca bastou, a estupidez na nossa inexperiência rompe a ação singular com uma juventude unificada, frustre, nas barreiras do coletivo.
Resta-me não me conformar com a púrpura sob o fardo das jóias sociais. Não quero borbulhar com as fraldas que me colam à carne viva, nem unificar-me ao patrimônio provincial no silêncio dos carros modernos que espreitam os Césares da habitação anarquista.
Não sou anarquista, nem partidário de sua ideologia, porém, eu vejo o mesmo azul falso nas grandes cúpulas das cidades, e o verde que erra após as esponjas gigantescas do estio.
A minha liberdade está dentro de mim, e dentro de mim posso fitar o rio, o céu e o infinito. A paz que eu quero não serpenteia no conceito estético que exponho, ela está além das fronteiras da juventude e do cerne extrínseco. Não ponho reveses em minha aldeia, muito menos na obra de minhas mãos; mas convenhamos e venhamos, o que prejudica a expressão da vida está nos objetos que afetam os sentidos do espírito.
Esculpia a matéria de mim, mas não sabia a que lado estava empregando a minha consciência. Não como a Fídia que destrói as folhas da videira, porque esta sabe o que fazer por necessidade de fazê-lo, e não o talhar artisticamente a irrealidade, como fazem os homens.
Não sei quando a solidão aliviará a minha alma e me soltará na espiral de lágrimas calmas, diante de Deus, como uma criança a que seu último desejo é ir dormir...

John L. S.  02/01/2014
 
;